Contos & Crônicas

Ser adulto é mesmo tão chato assim?

abril 12, 2017

O último episódio de Girls (HBO) vai ao ar no próximo domingo e, como essa é uma das minhas séries favoritas (apesar de não ter curtido a 5ª temporada), fiquei inspirada pra escrever um texto sobre um assunto que é pano de fundo para toda a trama de Girls: a vida adulta.

Se eu falar que não sinto falta da minha adolescência, é mentira. Foi uma época intensa, minha autoestima sempre estava lá no alto, eu pesava 20kg a menos do que peso hoje, tinha pouquíssimas responsabilidades e ainda dava pra tirar um cochilo à tarde sem culpa. Ao mesmo tempo, eu não via a hora de “ser adulta”: poderia entrar em todas as baladas, poderia beber sem ter que torcer para que o cara do bar pedisse minha identidade, eu teria um emprego que me pagaria mais de mil reais e estaria completamente feliz com isso.

Hoje, eu não sei quanto tempo faz que não piso numa balada, acho que beber fora de casa é caro demais e não sei como faria pra viver com um real a menos do que ganho.

Em compensação, é bem legal. As dificuldades da vida adulta aparecem constantemente nos meus dias, mas acredito que ficaria muito mais apavorada do que feliz se fosse dormir com 25 anos e acordasse em 2007, após um daqueles deliciosos cochilos que eu amava tirar nas tardes geladas – como a de hoje.

Aos 25, não posso dizer que conquistei mil coisas, mas, sinceramente, eu nem sei bem o que eu quero conquistar. Dar uma festa de casamento? Comprar um apartamento? Comprar um carro? Gente, nem CNH eu tenho… Eu nunca fui daquelas crianças que queria muito ser algo quando crescesse, nunca tive uma resposta definitiva para essa pergunta. E, até hoje, a resposta dela muda dependendo do dia, do meu humor ou do tempo lá fora.

Só sei que, como adulta, eu estou sempre muito ocupada. Tomando decisões sozinha, trabalhando (com algo que, felizmente, gosto muito), escolhendo vegetais na feira ou um vinho pra beber em um dia aleatório da semana, escrevendo aqui no blog, escrevendo meu livro, andando sem rumo pela cidade sem precisar avisar aonde estou indo, estou ocupada até mesmo enquanto procuro algo para assistir no Netflix, entre mil outras coisas mais. Eu estou muito ocupada com esse processo que é me tornar quem que eu sou. E todas essas pequenas-grandes coisas importam muito.

Posso dizer que a sensação é muito mais gostosa agora do que quando tinha 15 anos. E aposto que ela será totalmente diferente aos 35.

Os boletos vão continuar chegando – e aumentando. Isso é irreversível. E não tem como lutar contra o irreversível, apenas lidar com ele.

A única coisa que me resta é aproveitar essa constante mudança que é ser quem eu sou.

Agora, voltando à pergunta do título, minha resposta é: Depende. Ser você mesmo é tão chato assim? Eu espero que não. E, se for, espero que você faça algo para mudar isso. Porque eu tenho pouquíssimas certezas sobre a vida, mas uma delas é que não existe forma de voltar no tempo. O caminho é pra frente e só cabe a você decidir se ele segue ladeira abaixo ou não.

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