Sobre engordar de novo | O retorno do mude.me – Parte III

setembro 25, 2016

Para marcar esta nova fase do mude.me, decidi contar tudo o que aconteceu nos últimos 7 anos: como eu engordei, como eu emagreci e o que aprendi engordando novamente – já adianto que engordar de novo foi a melhor coisa que me aconteceu. Então, escrevi uma série com 4 textos e todos eles estão disponíveis aqui.

A minha relação com a alimentação já havia se tornado algo totalmente emocional. Parei de ter medo de comer coisas saudáveis, passei a comer para me preencher.

Comia besteira porque era segunda, porque era sexta, porque era véspera de feriado, porque eu estava nervosa. Sempre achava um motivo para comer besteira. O último motivo se tornou cada vez mais constante. Vivia nervosa, triste, frustada.

Eu odiava o lugar onde eu trabalhava. Odiava. Odiava as pessoas com quem eu trabalhava. Não dava bom dia, não me despedia quando ia embora. A presença de cada uma daquelas pessoas me irritava profundamente. Porque falavam demais, porque falavam de menos, porque não deixavam o ar-condicionado numa temperatura confortável (para mim, claro), porque ouviam música alta demais em seus fones de ouvido.

Algumas pessoas me irritavam mais. E eu tinha vontade de dar com meu teclado na cabeça de cada uma delas. Como não podia, eu comia. Gastava horrores na mercearia perto do escritório. Comia doce, depois salgado, depois doce de novo, salgado mais uma vez. Até que tudo acabasse. Até que eu tivesse comida até a garganta e meu estômago começasse a doer.

Me lembro do dia em que a crise de compulsão foi tão grande, que a única forma de aliviar a dor de estômago era vomitar. Tentei forçar uma, duas, três, inúmeras vezes. Quase nada saiu. Fui dormir com dor e, ainda por cima, sentindo um bolo de Fini Tubes na garganta, que ficou ali entre o caminho para o meu vaso sanitário.

A empresa em que eu trabalhava era ótima, confesso que sinto saudades de lá, o meu problema era com minha gerente geral, os colegas de trabalho, enfim… Acredito que era algo pontual. O dia em que eu saí de lá e dei adeus para as pessoas que faziam do meu dia a dia um inferno foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Estou livre, pensei. Agora tudo vai entrar nos eixos.

Ledo engano. Saí de lá em maio e ainda tinha um longo TCC pela frente. Ele foi feito a base de muita pizza congelada (já que chegou uma hora em que eu tinha preguiça de cozinhar) e garrafas e mais garrafas de vinho.

A verdade é que sempre vai existir algo negativo em nossa rotina, que vai nos levar pra baixo. É importante saber driblar as coisas negativas e seguir em frente.

Passando tudo isso, eu vi que havia engordado muito. Num primeiro momento, foi triste demais. Não conseguia acreditar que havia voltado para a estaca zero. Mas voltei. E percebi como era difícil recomeçar tudo aquilo. Eu sabia muito bem o caminho que tinha pela frente e não tinha vontade alguma de passar por tudo de novo. Perdi as contas de quantas vezes tentei recomeçar.

Decidi fazer uma pausa. Parar de tentar por um tempo, tentar gostar de mim desse jeito e ponto.

Foi então que percebi como engordar me fez bem.

Não, você não leu errado: engordar me fez bem. Quando emagreci, tinha me tornado uma pessoa terrível. Engordar me fez ver que eu estava completamente errada, me fez ter empatia e me fez respeitar uma coisa que é mais importante que uma calça tamanho 40: a felicidade.

Independente do estilo de vida que uma pessoa decida seguir, se ela está feliz (e não está fazendo mal para ninguém), ótimo. Perfeito.

Aprendi muito nesse tempo, aprendi a me colocar no lugar dos outros, a julgar menos e a ser mais positiva.

E confesso, até tentei me sentir confortável no meu corpo 20kg mais gordinho que dois anos atrás… Mas não deu. Então, decidi que era hora de mudar.

Mais uma vez.


Próximo texto: Por que eu resolvi emagrecer de novo?

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