#stopthebeautymadness | de mim, pra mim: como o feminismo tem me ajudado a amar meu corpo

setembro 2, 2014

Uma das primeiras coisas que eu pensei quando comecei a emagrecer foi: “Noooossa, vou esfregar minha magreza na cara de todo mundo”. Quando parei de emagrecer por um tempo, não queria que as pessoas me perguntassem sobre a dieta, tinha medo de que elas notassem que eu parei de emagrecer. Há um certo tempo, percebi que estava demorando muito pra perder tudo o que eu queria perder e isso me preocupava. Não, eu não tenho um grande evento nos próximos meses. Não, eu não estou programando uma viagem pra praia. Eu só queria sair por aí e falar que cheguei no meu ~peso meta~, esfregar minha magreza na cara de todo mundo.

Até semana passada, no meu avatar das redes sociais eu estava com uma máscara de stormtrooper. Ia deixar lá só pro fim de semana do Star Wars Day, mas acontece que não mudei de foto e fui um stormtrooper por quase 4 meses. E fiz isso porque realmente me achava feia e que aquela era a minha melhor foto para deixar no avatar.

Então, comecei a ver meninas na timeline postando fotos sem maquiagem, com uma tal de hashtag #stopthebeautymadness (ou “pare com a loucura da beleza”). Resolvi aderir ao projeto e postei minha foto.

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Eu estava de TPM, logo, mostrei meu rostinho inchado, minhas espinhas, minhas olheiras, tudo o que eu procuro tanto disfarçar. Foi difícil, mas passei a refletir sobre muita coisa a partir daquele momento. Entendi que precisava me libertar daquela paranoia. Há duas semanas, falei (aqui) sobre minha única experiência em que uma pessoa conseguiu me deixar pra baixo por causa da minha aparência e, sim, isso ainda fazia efeito sobre mim, mesmo depois de anos. Eu espero que essa pessoa se sinta vitoriosa por fazer com que “só uma brincadeira” (porque é sempre isso) me prendesse por tanto tempo, mas acabou. Oficialmente.

Aprendi a me cercar de pessoas com boas energias, seja na “vida real” ou na digital. Gente que me apoia, que me acha bonita e que, muito além do meu rosto, sabe quem eu sou, conhece meu trabalho e minhas ideias e que diz pra mim que eu sou muito mais do que minhas olheiras e espinhas.

Depois de participar do desafio, meu rostinho limpo apareceu várias vezes nas minhas redes sociais. Minha foto de perfil não é mais um stormtrooper, também não é de uma pessoa maquiada, sou eu do jeito que me sinto mais poderosa: rostinho vermelho e suado depois de um treino de corrida. Eu gosto de maquiagem? Adoro! Inclusive, estou preparando um post sobre meus produtos favoritos, mas passei a entender a maquiagem como algo pra realçar o que tenho de bonito e não pra esconder meus defeitinhos.

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E onde o feminismo entra nisso? Em tudo! O feminismo me ensinou a gostar de mim do jeito que eu sou, a fazer o que eu gosto, independente do que os outros esperam de mim. Feminista pode querer emagrecer?

“Porra, claro, né? O corpo é seu. O lance é não fazer isso por fatores externos, por pressão, enfim. Cada um pode ser o que quiser, ninguém quer obrigar ninguém a fazer nada.”

 

Perguntei pra Clara Averbuck e foi isso o que ela me respondeu, confirmando o óbvio.

Claro que você pode amar seu corpo e querer mudar algo nele. A chave pra saber se você realmente deve fazer isso é parar e se perguntar pra quem você está fazendo isso. E foi o que eu fiz.

Meu namorado sempre mostrou gostar de mim do jeito que  sou e só quer que eu corra atrás do que faz com que eu me sinta bem. Minha família sempre se mostrou muito preocupada com a minha aparência, mas são poucas as pessoas que sabem com o que eu trabalho, o que eu estudo, quantas promoções já tive na vida, essas coisas. Sempre fiquei chateada por me olharem com cara de dó quando pegava uma sobremesa, mas por nunca me perguntarem como estão as coisas no trabalho. Hoje continua igual. Recebo elogio de meus familiares e agradeço, mas parece que eu sou só isso, só a casca. Como se a melhor coisa que já me aconteceu foi emagrecer. Eu sei que emagrecer é um grande feito, mas tenho conquistas maiores em minha vida (como meu emprego, meus estudos, etc). Então eu realmente não me importo com a opinião deles sobre meu corpo.

Além de familiares e namorado, procuro me relacionar com pessoas que pensam da mesma forma que eu e tenho me sentido bem com isso. As mulheres que mais admiro estão levantando a bandeira da beleza real, isso me mostra que estou próxima das pessoas certas.

Então, depois de saber que meu namorado e amigos gostam de mim do jeito que sou e também não me importar com o que meus familiares pensam, eu ainda quero emagrecer? Sim. Eu quero emagrecer pra me sentir mais confortável nas roupas que uso, pra me olhar no espelho e me sentir mais bonita do que me sinto hoje (detalhe: até antes do desafio, me sentia horrível), pra ser mais rápida nas corridas. Eu quero emagrecer pra mim. No meu tempo. Eu estou seguindo duas semanas de foco total na dieta, não pra perder peso, mas como preparação pra prova mais importante da minha vida até agora.

Depois disso, vou continuar me alimentando direito, porque sei que comer bem faz com que eu me sinta bem, me deixa leve, não fico inchada. Mas também não vou chorar se comer um brigadeiro, uma pizza. Eu não vou me privar do shorts no verão, do biquini, do vestido; querer fazer algumas melhorias no meu corpo, não significa que não posso aproveitá-lo e amá-lo do jeito que ele é hoje, com as gordurinhas, com a celutite, as estrias e todos os outros defeitos que me fazem a mulher que sou.

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Mais mulheres maravilhosas e que admiro demais também falaram sobre o assunto: Vic Siqueira, Lia Camargo, Dani Cruz e Fê Pineda. Vale a leitura e a reflexão 🙂

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2 Comentários

  • Reply TOP 10 | na minha nécessaire tem: maquiagem sem frescura (e por menos de R$50!) – mude.me // por andressa jordano novembro 10, 2016 at 18:20

    […] verdade, só um é até esse valor, os demais vão até R$40!). Sim, fiz um post há alguns dias apoiando a campanha #stopthebeautymadness e hoje estou fazendo post sobre maquiagem. Todo mundo pode usar uma base, um blush, uma sombra e […]

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