Inspiração

“Você não vai morrer disso” (ou “Como estou aprendendo a lidar com o medo da frustração”)

julho 7, 2017

Todas as ilustrações desse post são da artista Elliana Esquivel. Para conhecer mais sobre seu trabalho, clique aqui.

Não me lembro exatamente quando foi que eu comecei a me preocupar com o que as pessoas pensavam de mim, mas sei que esse sentimento me acompanhou em diversas fases da minha vida, principalmente na infância e na vida adulta. Às vezes, me pego pensando em como tenho saudade da minha personalidade na adolescência, aquela fase em que eu simplesmente conseguia me expressar sem sentir medo algum do que os outros iam pensar.

Acho que quando a gente sai da escola e segue pra vida adulta de verdade o baque dessa transição é muito forte. Seus amigos de sempre não estão mais por perto todas as manhãs e você precisa encontrar a sua nova “turma” na faculdade, no trabalho…

Mas o que expressão e frustração tem a ver? Bom, a partir do momento em que você não tem o controle de algo, as chances de se frustrar aumentam. E você não consegue controlar o que as pessoas vão sentir com relação à forma como você se expressa.

E, quando uma situação foge do nosso controle, a única coisa que nos resta é controlar a forma como lidamos com aquilo. É como nós reagimos às condições climáticas, por exemplo. Se você precisa sair de casa e está chovendo, você pode escolher pegar um guarda-chuva. Ou você pode simplesmente não sair. Mas aí a questão é: Se você deixar de sair de casa porque não pode controlar o clima, então você nunca vai sair de casa.

Comecei a fazer terapia tem alguns meses e cheguei em um momento em que o assunto desse texto é o assunto que minha terapeuta e eu estamos discutindo. Eu escrevi um livro que só precisa ser revisado para que eu possa publicá-lo. E eu simplesmente estou há dois meses adiando essa revisão. O motivo pelo qual eu faço isso nunca foi claro, mas na sessão de terapia dessa semana me dei conta de que isso se dá porque, a partir do momento em que esse livro for publicado, eu simplesmente não tenho o controle do que as pessoas vão achar dele. E, mais uma vez, as chances de ficar frustrada aumentam.

Acontece que toda situação tem dois lados, duas chances. Da mesma forma como existe a possibilidade de ninguém ler o livro ou ninguém gostar da minha história, também existe a possibilidade de eu obter uma resposta positiva. E a única forma de saber isso é publicando o tal livro. A única forma de saber isso é saindo de casa.

E se a resposta for negativa?

Se a resposta for negativa, eu não vou morrer disso. Eu vou partir pra próxima e vai passar.

Da mesma forma que ninguém morre de amor, ninguém morre por se sentir frustrado. Nenhum grupo de pessoas vai sair atrás de você com tochas em chamas porque você foi verdadeiro com a sua personalidade ou porque você simplesmente expressou sua criatividade (desde que não seja algo maldoso ou ofensivo, claro, hahaha). Porque a vida é assim. Ela é uma sucessão de erros, acertos e, principalmente, acasos… Que nos ensinam lições importantes e simplesmente passam, para então dar lugar a novas experiências.

Então, se você precisa de um empurrãozinho pra se mostrar para o mundo do jeito que você é, simplesmente coloque sua cara no mundo.

Vai curtir o tipo de música que você gosta. Sai pra rebolar a bunda até o chão. Leia os livros que você gosta de ler e assista aos filmes que você gosta de assistir. Você não precisa ler Bukowski e tudo bem se você gosta daquelas comédias românticas bem clichês ou se você a-do-ra a filmografia do Adam Sandler. Ria alto e fale “não” quando você quer falar “não”. Vai usar a roupa que te faz bem e passa aquele batom que você gosta. Ou não passa nenhum batom. Enfim, faz o que quiser. Faz o que te faz feliz e eu tenho certeza de que viver assim vai ser mais gostoso do que viver tentando agradar todo mundo.

Sai de casa. Você não vai morrer disso.

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